Obesidade no Brasil avança do pré-natal à vida adulta

O Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, traz um alerta adicional ao país: os sinais do excesso de peso aparecem cedo e ganham força ao longo de toda a vida do brasileiro. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) — ferramenta do Ministério da Saúde que reúne informações de pessoas acompanhadas na rede pública (SUS) —, mostram que, em 2026, 7% das crianças entre 0 e 5 anos já apresentam peso elevado para a idade. Na adolescência, o cenário acelera, com 35,7% dos jovens com excesso de peso e 15,4% já na faixa de obesidade. 

Na semana que marca a data, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), ao lado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e do Consórcio Cristo Sustentável, promoveu uma cerimônia no Santuário Cristo Redentor, nessa quinta-feira, 5 de março, para ampliar a mobilização em torno do tema. O monumento foi iluminado em roxo como marco de conscientização. 

A iniciativa faz parte da campanha do Dia Mundial da Obesidade, organizada pela Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation – WOF) que, neste ano, tem como tema 8 bilhões de razões para agir contra a obesidade. A proposta da entidade é reunir toda a população em torno do assunto, focando particularmente nas comunidades mais vulneráveis, sobretudo as crianças. “A ideia é passar a mensagem de que o problema não começa no adulto, mas se forma ao longo do curso da vida e pode ser prevenido mais cedo, com sistemas mais justos, e o reconhecimento da importância de fatores como desigualdade, estigma, acesso a cuidado e ambientes que não favorecem escolhas saudáveis na construção do cenário atual”, afirma Bruno Halpern, vice-presidente da Abeso e presidente eleito da WOF para o biênio 2027-2028. 

No mundo, a dimensão do problema explica o tom de urgência: o movimento aponta que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade e estima 1,7 milhão de mortes prematuras anuais por doenças crônicas associadas ao excesso de peso.

Segundo o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, iluminar um dos principais cartõespostais do país é uma forma de transformar um tema muitas vezes restrito a consultórios e estatísticas em um sinal visível, capaz de colocar a pauta no centro da conversa pública. “A obesidade costuma ser naturalizada, diluída em rotinas urbanas, alimentação ultraprocessada, sedentarismo e falta de tempo. Nosso objetivo é mostrar que não se trata de um tema periférico, mas de uma doença que dá sinais na infância, atravessa a adolescência e ganha escala na vida adulta, com reflexos também na gestação e na velhice”, completa Trujillo, que também preside a Federação Latino-Americana de Obesidade (FLASO), apoiadora da iniciativa.

O panorama brasileiro por fases da vida sugere que, quando o assunto é sobrepeso, a janela de risco se abre antes mesmo do nascimento. O Sisvan registra 58,8% das gestantes acompanhadas com excesso de peso. Na avaliação de Cynthia Valério, diretora da Abeso, além disso, o dado da primeira infância deve ser lido como alerta. “Quando falamos de 0 a 5 anos, estamos olhando para uma fase em que alimentação, rotina e ambiente familiar pesam muito. Ao chegar na adolescência, uma criança exposta por anos a um ambiente que favorece o consumo de ultraprocessados e o sedentarismo tende a carregar esse comportamento, e isso se reflete no salto do excesso de peso já nessa etapa”, avalia.

Na vida adulta, os números reforçam a escala do cenário. Os dados de 2026 mostram 73,6% dos adultos acompanhados pelo Sisvan acima do peso e 39,1% já classificados com obesidade –– 15,5% destes em faixas associadas a um maior risco de complicações e necessidade de cuidado continuado (10,09% grau II; e 5,46% grau III).

No envelhecimento, o sistema registra 53,4% dos idosos acompanhados com sobrepeso. “Isso sugere a manutenção de um padrão de excesso de peso ao longo da vida, que chega à velhice com impacto direto na qualidade de vida, com maior comprometimento da mobilidade e da funcionalidade, além do aumento do risco de comorbidades associadas”, acrescenta Cynthia.

Para a Abeso, a mensagem é de que não há solução única e que tratar a obesidade como uma falha individual apenas atrasa o enfrentamento. “A resposta precisa combinar prevenção desde cedo, ambientes alimentares mais saudáveis, incentivo à atividade física, redução do estigma e acesso real ao diagnóstico e ao tratamento quando necessário”, reforça Fábio Trujilho.

Parceria com o Consórcio Cristo Sustentável

A parceria entre a Abeso e o Consórcio Cristo Sustentável fortalece o cuidado já oferecido às mulheres em situação de vulnerabilidade social atendidas pelos projetos do Consórcio. A proposta é desenvolver ações específicas voltadas àquelas que se encontram em sobrepeso ou obesidade, promovendo orientação qualificada, educação em saúde e incentivo a hábitos mais saudáveis.  

 Sobre o Consórcio Cristo Sustentável

O Consórcio Cristo Sustentável é uma aliança estratégica entre três organizações que atuam de forma integrada com o objetivo de promover ações coordenadas voltadas para a sustentabilidade ambiental, social e econômica. A colaboração interinstitucional entre o Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, Obra Social Leste Um - O Sol e o Instituto Redemptor viabiliza mudanças e transformações, acelerando a transição para um futuro mais sustentável, promovendo inovação, inclusão, conscientização e equilíbrio entre progresso econômico e preservação ambiental.

O Consórcio Cristo Sustentável atua a partir de três eixos, distribuídos nas seguintes linhas de atuação: Cidadania, Empreendedorismo e Empregabilidade e Ambiental, articulando projetos e iniciativas que impactam diretamente comunidades, territórios e instituições parceiras.