Fiesp recebe lançamento nacional da Campanha Hepatite Zero no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites

Cristo Redentor iluminado em amarelo pelo Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais | Foto: Today Soluções / Santuário Cristo Redentor

No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu o lançamento nacional da nova etapa da Campanha Hepatite Zero. O ato foi realizado em 28 de julho, às 19 horas, na sede da entidade, na Avenida Paulista, e marcou o início de uma ampla mobilização do Rotary para ampliar a testagem, identificar casos silenciosos e aproximar milhares de brasileiros do diagnóstico e do tratamento.

A programação reuniu mais de 200 rotarianos, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil, parceiros institucionais e autoridades. Participaram do evento o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e Humberto Coelho Neto e Silva, fundador do Hepatite Zero e presidente mundial do Rotary Action Group for Hepatitis Eradication (RAG for Hepatitis Eradication).

Uma trajetória de impacto concreto

Criado para enfrentar uma epidemia que avança muitas vezes sem sintomas, o Hepatite Zero construiu, ao longo de aproximadamente 15 anos, uma das mais expressivas mobilizações rotárias na área das hepatites virais. Segundo registros institucionais do projeto, cerca de 3 milhões de pessoas já foram testadas em todo o território nacional. A iniciativa identificou mais de 3 mil pessoas com resultados positivos, posteriormente encaminhadas aos serviços públicos de saúde para confirmação diagnóstica, acompanhamento clínico e tratamento.

O trabalho foi desenvolvido com a participação do Rotary e do RAG for Hepatitis Eradication, que articulou a implantação do projeto em países onde o Rotary possui representação. A Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite (ABPH) atuou como braço operacional, organizando as testagens e o encaminhamento dos casos reagentes às redes municipais de saúde. No Brasil, os medicamentos e o tratamento das hepatites virais continuaram sendo disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme indicação clínica.

O desafio de uma doença silenciosa

As hepatites virais podem permanecer silenciosas durante anos. Sem diagnóstico, a infecção pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado. Um dos principais desafios continua sendo a falsa sensação de segurança provocada por exames de rotina: a investigação das hepatites B e C depende de testes específicos e não está automaticamente incluída em um hemograma ou em outros exames laboratoriais simples. Por isso, informação e testagem foram decisivas.

Descobrir a infecção precocemente protege, reduz a transmissão e permite iniciar o cuidado antes do surgimento de complicações graves. Para a hepatite C, os tratamentos atuais alcançam elevadas taxas de cura; para a hepatite B, o acompanhamento adequado e a terapia, quando indicada, reduzem significativamente o risco de progressão da doença.

Hepatite Zero 2030: uma mobilização nacional

O lançamento na Fiesp apresentou a nova etapa da campanha, alinhada à meta internacional de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. A estratégia da Organização Mundial da Saúde prevê, em relação a 2015, a redução de 90% das novas infecções e de 65% das mortes. O Brasil, como Estado-membro da OMS, assumiu esse compromisso e vem desenvolvendo políticas públicas para ampliar prevenção, diagnóstico e tratamento.

O plano do Rotary mobilizou clubes e distritos de todo o país com o objetivo de alcançar até 50 milhões de pessoas por meio de ações de conscientização e testagem. A campanha já reunia, segundo dados da organização, cerca de 4 mil rotarianos e mil clubes inscritos.

A proposta foi transformar a capilaridade do Rotary em uma rede nacional de prevenção: cada clube passou a poder orientar sua comunidade, organizar ações locais e contribuir para que pessoas que desconheciam sua condição tivessem acesso ao diagnóstico.

Ação na Fiesp e registro do trabalho em campo

Durante a mobilização, o público recebeu informações sobre prevenção, fatores de risco, importância do diagnóstico e caminhos de acesso ao SUS. A testagem foi gratuita. Pessoas com resultado reagente foram orientadas e encaminhadas à rede pública para confirmação, avaliação médica e continuidade do cuidado, com respeito ao sigilo, à dignidade e à legislação de proteção de dados pessoais.

Um fotógrafo profissional acompanhou o encontro para registrar não apenas a presença institucional, mas principalmente as pessoas em ação: voluntários acolhendo, equipes orientando, participantes sendo testados e a comunidade mobilizada. As imagens documentaram o impacto humano da iniciativa e passaram a apoiar a divulgação dos resultados alcançados.

Cristo Redentor iluminado pela causa

Simultaneamente ao ato em São Paulo, o monumento ao Cristo Redentor recebeu iluminação especial na cor amarela, em referência ao Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. O Santuário Cristo Redentor, um dos grandes apoiadores do Hepatite Zero desde a fundação do projeto, mais uma vez emprestou sua força simbólica à mensagem de prevenção, diagnóstico e esperança.

A iluminação ocorreu em sintonia com a mobilização realizada na Fiesp, cujo painel também fez referência à campanha. A união de dois dos mais reconhecidos símbolos do Brasil ampliou o alcance da mensagem de que as hepatites podem ser prevenidas, diagnosticadas e tratadas, reforçando a importância de agir para que a meta de 2030 se torne realidade.

O Rotary reafirmou sua parceria com a Ação de Amor do Cristo Redentor, fortalecendo um dos principais projetos de atenção primária coordenados pelo Consórcio Cristo Sustentável, com impacto direto na promoção da saúde, da solidariedade e da cidadania.

O Consórcio Cristo Sustentável, aliança estratégica entre o Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, a Obra Social Leste Um – O Sol e o Instituto Redemptor, segue promovendo ações integradas voltadas à sustentabilidade ambiental, social e econômica, impulsionando inovação, inclusão, conscientização e equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental.

Uma campanha com alcance internacional

A nova fase também fortaleceu a expansão internacional do Hepatite Zero, com especial atenção a países africanos e a comunidades com menor acesso ao diagnóstico. Com o apoio da rede mundial do Rotary, o projeto passou a trabalhar para formar equipes locais, viabilizar testes, estimular parcerias com autoridades sanitárias e garantir o encaminhamento responsável dos casos identificados.

“Eliminar as hepatites exige transformar solidariedade em presença, informação em diagnóstico e diagnóstico em cuidado. Cada teste pode mudar uma história e, em muitos casos, salvar uma vida.”