O Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor recebeu, nesta terça-feira, 6 de outubro, uma celebração em defesa do direito à moradia e da dignidade humana. Promovida pela Pastoral da Moradia e Favela da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a iniciativa ocorreu por ocasião do Dia Mundial do Habitat, celebrado em 5 de outubro, e integrou as comemorações dos 95 anos do Cristo Redentor.
A Santa Missa foi celebrada no dia 6 de outubro, reunindo oração, reflexão e compromisso em torno do direito de todas as pessoas a uma moradia digna. Após a celebração, o monumento ao Cristo Redentor recebeu uma iluminação especial em amarelo, cor da identidade visual da Pastoral da Moradia e Favela. A iniciativa também integra as comemorações pelos 49 anos desta Pastoral, criada em 1977 a partir da mobilização dos moradores do Vidigal diante da ameaça de remoção. O processo de resistência popular culminou com a visita do Papa João Paulo II ao morro, em 1980, e com a permanência da comunidade em seu território.
Moradia: direito e dignidade
A celebração ganhou significado especial no contexto da Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Para a Igreja, a casa não é apenas abrigo, mas espaço de proteção, convivência, educação, fé e esperança. Defender a moradia é também defender o acesso à água, ao saneamento, à saúde, à educação, ao trabalho, ao transporte e aos demais direitos necessários a uma vida digna.
A realidade brasileira evidencia a urgência desse compromisso. Segundo o Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2026, o país possui déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias e aproximadamente 26 milhões de domicílios em situação inadequada. Mais de 300 mil pessoas vivem em situação de rua, revelando uma das faces mais graves da crise habitacional.
A Doutrina Social da Igreja recorda que os bens da criação devem estar a serviço de toda a humanidade. Na Encíclica Laudato Si', o Papa Francisco destaca a responsabilidade de cuidar da Casa Comum e das pessoas mais vulneráveis. Nesse sentido, a defesa da moradia integra o compromisso cristão com a dignidade humana, a justiça, a fraternidade e o bem comum.
Dia Mundial do Habitat
Instituído pela Organização das Nações Unidas em 1985, o Dia Mundial do Habitat é promovido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e marca também o início do Outubro Urbano. Em 2026, a data teve como tema “Moradia adequada para todos”, chamando a atenção para a necessidade de garantir segurança, habitabilidade, infraestrutura e acesso aos serviços públicos.
Erguido no alto do Morro do Corcovado e inaugurado em 12 de outubro de 1931, Dia de Nossa Senhora Aparecida, o Cristo Redentor tornou-se símbolo de fé, esperança e acolhimento. Seus braços abertos recordam uma mensagem de amor dirigida a todos, especialmente aos pequenos, aos pobres e àqueles que mais sofrem.
Ao celebrar o Dia Mundial do Habitat aos pés do monumento símbolo do Brasil, a Pastoral da Moradia e Favela reafirmou que nenhuma pessoa deve ser privada do direito de ter um lugar digno para morar, constituir sua família e participar plenamente da cidade, renovando o compromisso de fazer dos braços abertos do Cristo um sinal concreto de fé, esperança, acolhimento e defesa da vida.


